Blog ou Facebook: onde investir mais esforços?

Promovendo seu blog escrito por

Você dedica mais tempo e recursos no Facebook do que no blog e/ou site? Tem só fanpage e não tem blog? É verdade que a rede social mais badalada do momento é o Facebook, mas será mesmo  uma boa estratégia dar mais atenção à fanpage do que ao blog/site? Se você respondeu sim para as perguntas acima, pense de novo. Não sabe qual é o problema de priorizar a fanpage? Não tem problema, a bola de hoje é essa, vem com a gente analisar e refletir sobre o Facebook. :)

(Falta de) privacidade

Não é novidade que o Facebook tem sérios problemas de privacidade, mesmo em uma busca básica por “Facebook falta de privacidade” encontramos muitos artigos apontando e explicando os problemas. E agora que o Mark Zuckerberg comprou o WhatsApp a perspectiva é de que o problema se agrave. Privacidade é assunto muito sério, é motivo mais do que suficiente para pensarmos sobre o modo como usamos a rede. Mas isso não afeta apenas perfis exclusivamente pessoais: privacidade é um problema para todos no Facebook – perfis pessoais, perfis pessoais e profissionais (meu caso e de vários amigos) e fanpages.

O chat do Facebook não é lugar de papo sério

Na caixa de mensagens do Facebook você não pode categorizar nada, a divisão é exclusivamente por participante da conversa. Então você fala com seu cliente sobre seus serviços, ele faz perguntas, você explica, ele pede orçamento. Ele diz que vai pensar e vocês conversam sobre outras coisas. Meses depois ele retoma o assunto, mas confundindo um pouco o que você disse anteriormente. Como procurar o histórico da conversa na caixa de mensagens do Facebook? Faça o teste: a busca é horrível. E o backup também, algumas mensagens antigas minhas simplesmente desapareceram.

A busca é sofrível, o backup pode falhar, você não pode separar as conversas por assuntos. Definitivamente o chat do Facebook não é lugar para tratar de assuntos sérios. Para isso use o bom e velho email, de preferência um que tenha mais funções que favoreçam a produtividade – já dissemos antes: o Gmail é um aliado fortíssimo na produtividade e organização. Tenha um email apenas para o blog e use-o, assim você consegue controlar tudo sobre as informações trocadas, inclusive backup e categorização.

Valores deturpados

Estou cansada de ver: foto de mulher amamentando o Facebook exclui porque considera conteúdo impróprio, mas se denunciarmos páginas e publicações que incitem a violência contra mulheres, homossexuais, transsexuais, negros e/ou animais, nada acontece. Você não precisa ser militante de Direitos Humanos e Direitos dos Animais para saber que tem algo muito errado aí: incitação à violência é que deveria ser conteúdo impróprio. E tem mais posturas questionáveis (para dizer o mínimo) no Facebook, já vamos chegar lá. No seu blog ou site é outra história: seus leitores não precisam se deparar com conteúdos questionáveis para poder acessar o que você publica. No seu domínio só entra o que você permite, filtrado de acordo com seus valores.

Você não é dono do seu conteúdo

O Facebook diz que o dono é você, mas leia com atenção os termos de  uso e verá que não. Vamos ver apenas um pequeno trecho, está no item dois da Declaração de Direitos e Responsabilidades:

“Para o conteúdo coberto pelas leis de direitos de propriedade intelectual, como fotos e vídeo (conteúdo IP), você nos concede especificamente a seguinte permissão, sujeita às configurações de privacidade e aplicativos: você nos concede uma licença mundial não exclusiva, transferível, sublicenciável, livre de royalties, para usar qualquer conteúdo IP publicado por você ou associado ao Facebook (Licença IP). Essa Licença IP termina quando você exclui seu conteúdo IP ou sua conta, a menos que seu conteúdo tenha sido compartilhado com outros e eles não o tenham excluído.”

Isso significa que o conteúdo que você publica pode ser usado pelo Facebook – mas eles não vão pagar você pelo seu trabalho em criar o conteúdo. Pense no que você publica na sua fanpage, produzido com tanto carinho, muitas vezes ao custo da contratação de um administrador para a fanpage ou de um webdesigner ou diretor de arte para as peças gráficas: uma vez publicado na sua fanpage, o Facebook pode usar (e você não vai receber um centavo por isso). Ok, ali diz que a licença de uso termina quando você exclui o conteúdo – mas só se ele não estiver na página de mais ninguém, por compartilhamento. Qual fanpage não quer que seu conteúdo seja compartilhado? É esse o objetivo de todos os administradores de fanpages!

Já em um blog ou site, é claro como água cristalina: o conteúdo é seu e as leis de Direitos Autorais estão a seu favor. Se você tem sua licença de uso explicitada, mesmo que alguém use seu material indevidamente você tem a lei ao seu lado para assegurar seus Direitos Autorais.

Você não controla a vida útil de uma rede social

Assim como aconteceu com o Orkut, um dia o Facebook ficará para trás. Tenho visto cada vez mais pessoas insatisfeitas com a rede social do “tio Zuck”, em algum momento ela vai acabar sucumbindo. E aí como fica todo conteúdo que você publicou lá? Morre junto? E a base de fãs da sua marca? Quando surge uma nova rede nem mesmo os amigos reencontramos rapidamente no novo espaço, que dirá os fãs de uma fanpage, que podem inclusive desistir de procurar a nova página da marca. Nessa “transferência/transição”, uma parcela significativa de fãs é perdida.

Em blogs e sites a realidade é outra: você define tudo sobre o espaço, não há risco de deletarem tudo e fecharem o espaço sem que você possa fazer nada para impedir. No seu domínio é você quem controla tudo, seu conteúdo só corre risco de ser deletado caso você esteja infringindo leis de Direitos Autorais. Mas se você não plagia conteúdo alheio e respeita as leis, não há o que temer: ninguém pode sumir com seu trabalho. É muito mais inteligente centralizar seu conteúdo principal no seu blog e nele montar uma boa base de leitores fiéis, sem depender de redes sociais que estão nas mãos de outras pessoas para poder se comunicar com seu público.

Conteúdo orgânico é desvalorizado

Conteúdo orgânico é aquele que você, eu e pequenas e médias empresas publicam em perfis e fanpages. Conteúdo que  nós mesmos produzimos e postamos, sem pagar para que as publicações sejam exibidas nas timelines. Só que, como não é pago, o Facebook basicamente esconde as publicações da maioria dos fãs da fanpage. Você já deve ter percebido que não aparece na sua timeline tudo que seus amigos publicam, assim como não aparece tudo que é postado nas fanpages que você curte. É porque o Facebook prioriza publicações com exposição pagas do que o conteúdo orgânico. Isso parece correto para você? É aceitável que você veja conteúdo que não lhe interessa (e aparece na sua timeline porque pagaram para isso) e que escondam de você as publicações que realmente deseja ver?

Há muitas, muitas críticas ao Facebook por isso, e pessoalmente ainda levo mais uma coisa em consideração nesse assunto: não é por causa desse conteúdo com exibição paga que as pessoas estão no Facebook. Estamos lá para manter contato com amigos, familiares e com os admiradores de nossas marcas, sites e blogs, o mesmo acontece com nossos contatos, e todos estamos lá para ver o conteúdo publicado organicamente. E é essa cartela imensa de usuários que torna o Facebook atrativo para marcas pagantes, ou seja, é pelas pessoas e pelo conteúdo orgânico que o Facebook se tornou atrativo para grandes empresas e rentável. São as pessoas e seus conteúdos orgânicos, em perfis e fanpages, que tornam o Facebook rentável, e aí o Facebook esconde esse conteúdo das timelines para exibir o conteúdo pago. Repito a pergunta: isso parece correto para você?

Veja no vídeo abaixo, que encontrei em um post do Trabalho Sujo, como fica a proporção de conteúdo orgânico realmente publicado x conteúdo orgânico que de fato aparece nas timelines:

Compra de “likes”

Você sabe que é possível comprar curtidores para as fanpages, certo? Se você não sabia, sim, é possível. Se sabia e, principalmente, se já comprou likes, acredito que vá se indignar. Existem duas maneiras de fazer isso: uma que o Facebook reprova e outra que ele aprova. Aí o mesmo moço do vídeo anterior mostrou que o jeito que o Facebook aprova funciona basicamente da mesma maneira que o jeito que o “tio Zuck” reprova. Fica a dúvida: se é igual, por que ele reprova? É de se pensar…

O vídeo abaixo, também publicado no post do Trabalho Sujo, explica muito bem como tudo isso funciona, assim como os anúncios pagos, e mostra que os resultados obtidos com compra de likes são, no mínimo, questionáveis.

Devo deletar minha fanpage?

Não é para tanto. O Facebook é a rede social mais utilizada no momento, é importante que sua marca esteja lá. Porém não me parece uma boa estratégia investir mais recursos (não só dinheiro, mas também tempo e energia) no Facebook do que em seu próprio blog ou site. Se é para ter uma fanpage, claro que ela deve ser visualmente bonita e com conteúdo de qualidade, mas seu principal meio de comunicação com seus clientes e fãs precisa ser seu site e seu blog, não uma rede social com ações tão questionáveis e sobre a qual você não tem controle. Ter uma fanpage ou perfil profissional, sim; deixar que seja mais importante que seu blog/site, não.

E então, concorda que um blog ou site é muito mais importante para você e sua marca que uma fanpage? E as “táticas” do Facebook, o que você acha delas?

13 Comentários em Blog ou Facebook: onde investir mais esforços?

  1. Elisama Azevedo em fevereiro 26, 2014

    Acho que 90% das visualizações no meu blog vem do Facebook, isso me preocupa pq não sei até quando o face vai existir… mas ter leitores fiéis? Como garantir visitar fora da fanpage? Pagar para o Google não sairiam mais caro?

    1. Lis Comunello em fevereiro 28, 2014

      Elisama, não necessariamente você precisa pagar para anunciar no Google, mas certamente precisa trabalhar muito no blog para conseguir audiência sem precisar pagar por anúncios. Planejar adequadamente o blog, focar na produção de conteúdo (jamais coloque mais publicidade do que conteúdo próprio), entender pelo menos o básico de SEO é importantíssimo, dar atenção especial para a identidade visual, investir em uma plataforma que lhe ofereça mais recursos (como o WordPress), etc. Nosso Metablog está cheio de posts que podem ajudar você com tudo isso. :)

  2. MArcio em março 07, 2014

    Gostei muito de seu site. Gostei de sua franqueza…

    1. Lis Comunello em março 08, 2014

      Marcio, em outro post, sobre Direitos Autorais, dissemos que nem sempre nossa resposta é o que nossos clientes e leitores gostariam de receber. Mas se mentirmos pra agradar podemos colocar as pessoas em problemas e isso definitivamente está fora de cogitação para nós. Falamos o que entendemos ser correto e útil e orientamos para estratégias e táticas que consideramos produtivas. Talvez nem todo mundo goste do nosso jeito, mas preferimos ser francos. :)

  3. Jessica M em julho 10, 2014

    Sempre tive medo de fazer uma fanpage. Já tive facebook, e sei que (pelo menos há muito tempo atrás quando tive) a privacidade era praticamente zero. Mesmo que você “feche” muitas coisas, não é possível prevenir certas coisas.
    Até hoje penso em fazer fanpage para o blog, ou mesmo colocar para compartilhar o link no facebook no final da postagem, mas sempre volto atrás, e opto por divulgar apenas os links no twitter mesmo.
    Estou adorando todas as dicas do blog, que eu ainda não conhecia. Achei interessante porque vocês ensinam muita coisa, mas de uma forma super leve!
    Parabéns!

    1. Lis Comunello em julho 21, 2014

      Jessica, é verdade que o Facebook tem sérios problemas de privacidade. Porém, também é verdade que nós não podemos deixar apenas nas mãos das redes o dever de zelar pela nossa segurança, nós temos que saber definir o que devemos ou não publicar. Perfis pessoais a gente pode e deve escolher em quais redes estar, mas quando o objetivo é divulgar trabalho e/ou blogs e sites, devemos ir onde o público alvo está. Mas claro que, mesmo no caso do seu público alvo estar principalmente no Facebook, ainda assim você pode decidir não ter uma fanpage – é tudo uma questão de escolha, de pesar o que é mais importante. :)

  4. Mar Paschoal em agosto 15, 2014

    Estou impressionada! Sinceramente, esses dois vídeos são o conteúdo mais esclarecedor sobre o tema que eu até hoje. E a sua narração ajudou muito para a compreensão! Eu trabalho na área de marketing digital e sou blogueira há cinco anos. Hoje, eu não vejo outra forma de avisar os seguidores e fans sobre os novos conteúdos do blog. Sim, porque os fans esquecem de visitar e precisam ser lembrados de que o blog existe, ou até mesmo avisados de que há coisa nova na página. Só vejo a saída no Facebook.
    TRabalho o Seo há tempos do meu blog. Porém, as visitas que recebo são de pesquisas, quase nunca se fidelizam. E no Google eles me acham porque procuram algo. Gostaria de encontrar uma plataforma que eu chamasse atenção pelo meu conteúdo com um público que não está à procura de nada. E o Google não é este lugar. Concorda? Estou me perguntando qual é este lugar? O Facebook me restringe cada dia mais. Meu alcance se torna inexpressivo e eu não sei para qual plataforma correr.
    Você tem alguma ideia de como avisar meus fans e seguidores com eficácia sobre novos conteúdos no site e blog?
    Abraços!!!! Mar

    1. Lis Comunello em agosto 20, 2014

      Mar, primeiro de tudo, o que fideliza leitores não é a plataforma e sim o conteúdo aliado ao design. Sim, os dois, porque não há layout que salve um conteúdo ruim, assim como não há conteúdo bom que estimule voltar sempre na página se a apresentação desse conteúdo está ruim por problemas de design. Para estas questões, sugiro a leitura dos nossos posts sobre produção de conteúdo, design e programação, planejamento e ferramentas úteis.

      Para que os leitores saibam quando há conteúdo novo o Facebook ajuda, mas como o artigo esclarece, não dá para depender de uma plataforma sobre a qual você não tem controle – é preciso disponibilizar feed, tanto o para ser lido em agregadores quanto por e-mail.

      Tem algo na sua mensagem que, creio eu, precisa ser repensada: você quer ser encontrada por quem não está procurando nada. Mas se não estiverem procurando também não vão encontrar, concorda? E aí o Google é, sim, a plataforma indicada: você investe em conteúdo, em design, em várias outras questões que você encontra nos nossos artigos navegando pelas categorias, incluindo os artigos sobre como promover o blog, e aí sim o Google vai começar a lhe trazer visitantes com potencial para fidelização. :)

  5. Amarante Souza em setembro 05, 2014

    Olá, parabéns. Comecei a pesquisar sobre como atrair leitores para meu blog e creio ter dado sorte logo de início, aqui. Ainda não lí todas as matérias mas as suas dicas são muito esclarecedoras e vou atentar para essas implementações. Tenho perfil no G+ e facebook. Meu blog é sobre produção de arte, artesanato e sustentabilidade a partir de sementes e material natural, mas o nível de visitas e comentários ainda é insignificante. Se puderes me “dar a luz” de visitá-lo e deixar por lá alguma dica de melhoria eu ficaria imensamente agradecido: http://geoatelier.blogspot.com.br/

    1. Lis Comunello em setembro 09, 2014

      Amarante, não temos como prestar consultoria personalizada aqui no Metablog, então ajudamos publicando conteúdos que sejam de interesse geral. E o que sempre vale para todo mundo é, além de investir em conteúdo próprio e de qualidade, investir também na apresentação do blog de modo geral: organizar e implementar um calendário editorial, instalar o blog em uma plataforma mais profissional (como o WordPress.org), ter domínio próprio e identidade visual (logotipo, layout personalizado, etc). Se desejar consultoria personalizada, podemos conversar em particular. :)